8 de Julho de 2009

Tributo aos originais

Alguns dias atrás, discutindo a morte de MJ, com um amigo, cheguei a uma conclusão que vale a pena escrever aqui. Eu sempre pensei assim, mas tem horas que cai a ficha e nos descobrimos ainda mais.

Tem algo que me chama atenção nas pessoas. E isso é a originalidade. Em outras palavras: personalidade. Enquanto muitos seguem a moda, têm ídolos, imitam outros, entre outras coisas, há gente que inventa e se inventa, e muda o mundo, senão, muda a cabeça das pessoas, plantando uma sementinha de sua pessoa, de sua capacidade de mudança, de quebrar a insegurança de ser diferente que todos nós temos.

Você já parou pra pensar o porque você é diferente dos outros? O que você faz que merece ser valorizado? Acho que isso cada um deve se preocupar, não tenho a intenção de influenciar ninguém, o que eu quero e sempre quis, é plantar essa sementinha de dúvida na cabeça de vocês. rsrs

E durante esses dias fiquei pensando e lembrando de quem se destacou na história por sua originalidade e que nunca foram superados! Seguem alguns que consigo me lembrar agora:

 

Salvador Dalí

Van Gogh Pablo Picasso Louis Royo William Blake Agatha Christie Charles Dickens Edgar Allan Poe Charles Chaplin Tim Bourton David Mckean Neil Gaiman David Martí e Montse Ribé Michael Jackson Chubby Checker Janis Joplin Elvis Presley Nietzche Freud Jung Einstein Terry Gilliam George Orwell Joseph Goobles Tarantino Jim Carrey Leslie Nielsen Michael Wislow José Feliciano Bob Mamonas Álvares de Azevedo BWO Beatles Stephen King Jim Morrison Billie Holiday Carmem Miranda Louis Armstrong Christopher Lloid Bram Stoker Madre Tereza João Paulo II

 

Há tantos outros, outros que não conheço e irei conhecer, e outros q nunca vou saber que existem, outros que esqueci de colocar nesse post (esses desculpem-me).

Pra mim, não importa se o mundo gostou ou não dessas pessoas, se elas se deram bem na vida, se foram felizes ou não. O que importa é ser nós mesmos, sem ligar pra padrões que o mundo projeta na tela, sem ligar pra modas ou cores ou conceitos pré-formados. Cada um é um, cada qual é tal. Se você não se sente sendo você mesmo, a auto-realização nunca chegará, e você dormirá num túmulo apertado, cinza como todos os outros, simples, e ninguém te visitará, porque sua vida passou e o mundo nem ficou sabendo disso.

Não importa se faz pouco ou muito, o importante é fazer…

 

*Nesse mês de julho, emocional e frágil como estou, e também em processos de mudança internos como sempre, ando reformulando minhas idéias e postando textos mais seriamente. A arte está impregnada em mim, e agora é pra sempre…

 

**sementinha plantada…

5 de Julho de 2009

Eternal War

EternalWar_sized

Kuma x Tora 

 

Eternal War

On the eternal war

Eyes of the cat which say

As the bear's skin

How deep is your love?

When the tiger hears,

Keep quiet and fight

‘Till the ice melts

And moves out the grid.

              They are free!


Fight under the starry night

The tiger’s eyes so bright

Bristle the bear skin

Moonlight shadow

Intrigue the winged souls

Peace comes to the duel

Life that’s moving on

Across the meadow


On silent wings,

Comes the end of violence.

And all the forest

Turn into silence.

Must be the real peace,

Over a night kiss.

Guerra Eterna

Na guerra eterna

O felino diz com os olhos

E o urso com sua pele

Quão profundo é seu amor?

Quando o tigre escuta,

Fica quieto e luta

Até que o gelo degele

E a grade se move.

              Estão livres!


Combate sob o céu estrelado

Os olhos do tigre tão brilhantes

Enriça os pelos do urso

Sombras do luar

Intrigam as almas aladas

A paz vem ao duelo

Vida que segue adiante

Por sobre a campina


Em asas silenciosas,

Vem o fim da violência.

E toda a floresta

Se transforma em silêncio.

Deve ser a paz verdadeira,

Sobre um beijo da noite.



“Há muito mais significado por trás das palavras do que supõe um primeiro olhar. Profundidade. Essa é a minha essência.

Pra quem não entende inglês, coloquei a tradução, mas pra quem entende, deixo a dica: a sonoridade na língua inglesa causa o impacto que desejo para seus ouvidos. ;)

Gostaria de agradecer imensamente a paciência e tudo o que meu grande amigo Helton Yamamoto me ensina diariamente. Ele é o autor dos desenhos, os quais pintei e editei no computador. Acredito que essa é a melhor ilustração que já trabalhei, fiz questão de postar a imagem com qualidade boa para poder ver detalhes, é só clicar nela.

Gostaria de agradecer também ao Igor Tromel que me ajudou na correção da poesia em inglês.

Enjoy it!”



Texto: Paulo Roberto Alonso

Ilustração: Helton Yamamoto (traços) e Paulo Roberto Alonso (edição)

2 de Julho de 2009

Signos de Esael – Capítulo 7/10

SignosDeEsael_07


Vagão-Fantasia

Convencido de alma semelhante,

Retornou ao mundo onde os homens crescem.

Onde a lua pesa em seu semblante

E sob a qual todos eles adormecem.


Cruzou vilarejo com a noite em moldura,

Parou onde houvera um dia seu lar,

Habitava igreja de torres escuras

Donde os sinos doze vezes a badalar

Soaram melodia de pura tortura.

E onde havia um jardim de imenso encantar

Já plantavam as lápides de sepultura,

E cresciam espinhos de amedrontar.


Correu-se dali, obstinado,

E num velho Flamboyant foi chegar.

Quem dera o garoto não ter ignorado

Que tudo um dia fosse mudar?

E sob a copa deitou-se afeiçoado.

Tal afeição por estranho lugar?

Local sob o qual se havia enterrado

O corpo sem luz a repousar.


Os corpos com luz repousavam no céu.

Estrelas caíam como fagulhas no chão.

E a noite trançava seu precioso véu:

O Sono estampou-se em sua expressão.

Junto à sua mãe descansou Esael,

Onde os sonhos ganharam tal extensão.

Ela lhe veio e disse: “Meu mel!

Serás grande! Há de honrar Abraão!”


Alguns acreditam que a noite não finda,

Mas sempre o sol insiste em renascer.

Nasce até nos dias mais tenebrosos,

Ainda que nem o azul do céu possa ver.

E aquela manhã o sol a Esael brinda

Com certa carroça ao alvorecer,

Vagão cigano distante (bem) vindo

Para o destino do pequeno percorrer.


Viagem à terra de Cupido

Ao fim de seus sonhos faria.

Ah! Se o primeiro olhar não tivesse havido,

A garota à janela outra sina teria.

Uma porta a outro mundo havia se abrido,

Quando a carroça estacou em sua via.

E sua vida teve outro rumo, colorido,

Quando partiu no vagão-fantasia.


Eis então o que tornaram-se as flores,

Repletas de pólen em exalação.

Algumas se aprumam com todas as cores,

Mas outras se secam com o início do verão.

 



“Esael volta para o mundo dos homens. Encontra onde um dia houvera seu lar, uma igreja e um cemitério.  Chega até um velho flamboyant, o túmulo de sua desconhecida mãe. Na estrada, passa um vagão cigano, Esael acorda, e a troca de olhares fez parar o veículo. Esael pega carona na paixão. O signo da roda aparece em sua vida.

Tigre, roda e caramgueijo

[texto e arte por Paulo Roberto Alonso]